domingo, 4 de fevereiro de 2007

Diálogo surreal ou são mesmo "chinesisses"?

Este Sábado, numa loja de decoração da Rua Augusta - LX - observei o seguinte diálogo acerca de umas pantufas semelhantes a duas bolas de "basket":

Cliente: "Desculpe. Isto é tamanho único?"

Emp. da loja: "Isso não tem tamanho. Só que uns são maiores que outros. É ver a olho e experimentar."

Ora. Isto levanta um sem número de questões.

Se algo não tem tamanho, é porque não ocupa espaço, ou não tem existência física, ou então não reflecte a luz e por isso não a vemos (não havia um filósofo que dizia isto?).

Contudo, eu, para além da cliente, também vi as pantufas e era a elas que a empregada da loja se estava a referir. Vamos, por isso, dar como assente que as pantufas existem.

Pressuposto 1:
As pantufas existem



Agora analisemos talvez a maior das contradições que ouvi nos últimos tempos (e se pensaram no Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, asseguro-vos que já vi os filmes):
As pantufas não têm tamanho, mas há umas maiores do que outras.

Ora, como é que é possível determinar que existem umas pantufas maiores do que outras se não for através do tamanho de cada uma delas?

Talvez as pantufas não tenham um tamanho determinável. Talvez o tamanho seja mutável consoante as horas do dia ou a temperatura, razão pela qual seria possível encontrar algumas maiores do que outras...

Vamos assumir que sim.

Pressuposto 2:
O tamanho das pantufas é indeterminável e mutável.



Termina a empregada da loja colocando um desafio à cliente: "Ver a olho"

A cliente deverá assim utilizar o seu sentido visão... para ver. Para tanto deverá recorrer aos olhos.

Por último: experimentar.

Trata-se claramente de uma apologia da experiência empírica em detrimento de qualquer outra consideração filosófica que se pudesse construir em torno das pantufas.

Vamos assumir que será esse o caminho para apreender, em cada momento, o tamanho das pantufas.

Pressuposto 3:
O tamanho das pantufas é apreensível através da experiência empírica.


A EXPERIÊNCIA:

Compararam-se cerca de 10 conjuntos de pantufas existentes na loja e verificou-se o seguinte:

Às 19:47 do dia 3 de Fevereiro de 2007, com uma temperatura de 23º C e uma humidade relativa de 33,4%, à vista desarmada.... todas as pantufas apresentavam o que aparentava ser o mesmo tamanho.

NOTA: Não foram utilizados instrumentos de medição (e.g. réguas). Margem de erro: 1,4 cm.

Apenas para constar do relatório, verificou-se que a origem de todas as pantufas era a China.

Ahhhhhhhhh!!! Alto lá!!! Os chineses cultivaram durante um milénio o chamado "pé de Lótus", enfaixando os pés das mulheres ainda enquanto crianças, para que não crescessem e ficassem todos do mesmo tamanho. Deformavam o pé por interesse erótico (cliquem para imagem elucidativa).

Será por isso que as pantufas MADE IN CHINA têm todas o mesmo tamanho?

Ou será que o sistema deles não permite fazer pantufas de tamanhos diferentes?


domingo, 28 de janeiro de 2007

Neurose de Renda ou apenas exigir o mínimo respeito?

Hoje, uma das principais empresas de entrega de pizzas ao domicílio, perdeu um cliente: Eu.

Chamem-lhe neurose de renda ou não (Alves da Silva: esta é para ti) mas eu entendo que os consumidores devem começar a exigir respeito para que as empresas realmente os respeitem.

Aqui há dias encomendei uma pizza e faltava um ingrediente. Telefonei a reclamar e as duas opções que me deram foram: a) fazemos uma nova pizza e vamos aí substituir; b) fica com um crédito de um ingrediente e num próximo pedido é incluído de graça.

Como já era algo tarde para almoçar, optei pela solução b), mas tive o cuidado de perguntar: "Mas como é que vão saber que eu tenho um crédito de um ingrediente numa próxima vez que telefonar a fazer um pedido?"

Resposta: "Vou colocar aqui no sistema".... (ahhhhh, o sistema)

Pois hoje telefonei para a tal empresa e preparava-me para fazer um pedido. Transmiti à jovem que me atendeu que teria um ingrediente a haver.

Resposta: "Não tenho aqui nada no sistema."

Eu: "Pois... já estava à espera. Eu bem perguntei logo à sua colega como é que iria registar o meu crédito... Ela disse que colocaria no sistema"

Resposta: "Pois, mas aqui não tenho nada."

Eu: "E então?"

Resposta: "Talvez a minha colega se tenha esquecido. Sabe o nome dela?"

Eu: "Não. Não pensei que fosse necessário ficar com a identificação da sua colega".

Resposta: "Pois. É que eu não tenho nada no sistema"

Eu: "Então chame-me o gerente, por favor."

Resposta: "Não está. Eu sou a responsável."

Eu: "Bom, está claro que vocês trabalham mal. Primeiro esquecem um ingrediente e depois nem sequer registaram o crédito. Perderam um cliente. Há mais empresas de pizza por telefone aqui no Concelho."

Resposta: "Ahh não diga isso. Eu não disse que não dava o ingrediente"

Nesta altura, esta afirmação já me pareceu extremamente tardia. Afinal de contas, o cliente não tem sempre razão? Parece que não. Especialmente quando o sistema contraria o cliente.

É a palavra do sistema contra a do cliente e, naturalmente, o sistema ganha.
A empresa de pizzas é que perde: clientes.